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HISTÓRIA DE UM SOBREVIVENTE

" A fé foi o principal remédio para minha recuperação integral", diz paraense recuperado da Covid-19

sexta-feira, 22/05/2020, 20:32 - Atualizado em 22/05/2020, 20:51 - Autor: Monique Costa


| Acervo Pessoal

Há quem diga que a fé move montanhas. Que ela é fundamental, necessária e imprescindível. Para o cabeleireiro Nilton Campos, de 36 anos, morador da Vila de Beja, a 27 quilômetros do município de Abaetetuba, nordeste paraense, a fé é "tudo". 

"Passei por maus bocados, sabe? Mas em meio a tudo que vivi esses dias, em uma cama de hospital, acordando com médicos e medicações o tempo todo e sem amigos ou família pra poder olhar e ter segurança, eu tive fé. Ela, sem dúvida alguma, foi o principal remédio para minha recuperação integral", acredita Niltinho, como é carinhosamente chamado pelos amigos, em lágrimas. 

 Há alguns meses, todo o planeta vive com receio de um inimigo invisível, um vírus contagioso que obriga todo o mundo a se isolar. Uma doença que tem feito um verdadeiro estrago. Niltinho bem sabe. Com calafrios e uma forte dor de cabeça, ele buscou ajuda na Unidade Básica de Saúde de sua comunidade, na pacata Vila de Beja. 

"Eram sensações insuportáveis. Às 15h30 entrei no posto de saúde e fui atendido pela doutora que estava de plantão, recebi medicamentos e em seguida um possível diagnóstico", explica ele. 

Coronavírus! De imediato, o rapaz pensou em várias possibilidades de contágio. Lavara bem as mãos? Faltou mais álcool? A máscara estava bem colocada? Será que se descuidou e cumprimentou alguém positivado? 

Niltinho com a mãe, logo após os dias internado no Hospital de Campanha do Hangar.
Niltinho com a mãe, logo após os dias internado no Hospital de Campanha do Hangar. Acervo Pessoal
 


"Passou um filme na minha cabeça. Mas ainda estava muito cedo para fazer um teste. Retornei pra casa e os dias passaram. Mas a febre era minha companhia constante. No quinto dia já amenizou. No oitavo, ela voltou novamente e junto falta de ar. Foi aí que me desesperei", contou.  

Para a psicóloga hospitalar, Larissa Ribeiro, que trabalha na Santa Casa de Misericórdia, em Belém, a Covid 19 por si só amedronta, com  tantas mortes e tantos rostos conhecidos partindo do medo de ser acometido pela doença. 

INCERTEZAS

"Ter os sintomas e receber o diagnóstico desestabiliza, um misto de emoções toma conta. Será que vou precisar ser hospitalizado? Será que vou ser entubado? Será que vou sobreviver?", explica a profissional. 

Nilton  foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento de Abaetetuba. Medicado, ele percebeu que alguma coisa estava errada. "Fizeram uma bateria de exames, vi minha irmã conversando com o médico e percebi o desespero e a tristeza com que ela fazia perguntas sem parar. Cabisbaixa, ela então comentou que eu realmente estava com coronavírus", explicou Nilton, muito emocionado, ele de imediato dispara, "mas eu não perdi a fé, nem mesmo quando ela falou que o resultado do exame foi positivo". 

"Mesmo com a estrutura, medicamentos e exames disponibilizado no meu município, eu precisava de um leito em Belém, eu já estava com mais de 60% do pulmão comprometido. Não dormia, não conseguia me alimentar, foram dias de tortura. Já no Hospital de Campanha do Hangar, pensei o quanto eu precisava ser forte e passar por aquilo tudo. Eram, sem dúvida, provações. E minha fé é inabalável", relembra.

O abaetetubense passou uma semana internado, com altas doses de medicamentos e com uma enorme equipe médica que "foi incansável".  "Conheci profissionais incríveis, e todos eles sempre foram muito positivos. Era um remédio e palavras de força, aquilo me alimentava e era bem mais potente do que aquelas pílulas", explicou ele. 

Nilton se reinventou em todos os setores de sua vida. Reforçou pensamentos, projetos que nunca saiam do papel e que dali em diante, teria a certeza de que não mediria esforços para executá-los. Reforçou laços com pessoas que o estenderam a mão, amigos, autoridades do município, familiares. Fez  votos com Deus, com a fé, com sua vida. Tudo seria diferente. Para o jovem cabeleireiro, era hora de se reinventar como pessoa. 

O jovem sempre participou de atividades em sua igreja, localizada na Vila de Beja.
O jovem sempre participou de atividades em sua igreja, localizada na Vila de Beja. Acervo Pessoal
 


" Nunca me faltou fé, positividade, foi uma experiência transformadora. Sai dali muito mais fortalecido, grato aos detalhes, ao falar, ao respirar, ao estar ao lado da minha mãe e poder beija-lá", enfatiza.

POSITIVIDADE

Para a psicóloga Larissa Ribeiro, é possível responder a uma crise com seriedade e deliberação, mantendo um senso interior de calma e de esperança.

"É importante manter a positividade durante o processo de internação, acreditar que o tratamento vai dar certo. Um dos recursos de enfrentamento diante o período de hospitalização é a fé, que nesse caso significa ter esperança que algo vai mudar de forma positiva, pra melhor", explica a psicóloga. 

O médico Christian Pinho, anestesiologista, diretor clínico da UPA de Abaetetuba e médico atuante em diversos hospitais em Belém, também concorda que é essencial carregar sentimentos bons, conhecer seu tratamento, tomar os remédios, e confiar na atuação dos profissionais. 

" É uma verdadeira dança. Pacientes e médicos precisam estar na mesma sintonia. O Covid-19 é uma doença grave. É importante acreditar que os resultados do tratamentos serão positivos.  Enquanto a batalha não se encerra, tranquilizar o coração e a mente é fundamental", explica ele. 

A positividade herdada da família e o tratamento adequado levaram Nilton Campos até a cura. " Eu tinha plena certeza que Deus me daria mais uma oportunidade. Em nenhum momento me senti só. Agradeço todas as pessoas que me estenderam a mão, sendo com ajuda financeira, com uma palavra de esperança ou orações.

 O psicólogo Luan Fonseca, que trabalha em Abaetetuba, comentou também a importância da batalha contra o emocional.  

" Um resultado positivo tem feito muitos perderem o chão. E aí começa a batalha não só contra o vírus mas contra o próprio emocional. A ideia é sempre poder estar diante de momentos que nos façam ter motivos pra viver, nos façam ter esperança, ter fé", diz ele. 

E neste caso, o final feliz foi certeiro. Como cantaria Gilberto Gil: "andá com fé eu vou, que a fé não costuma faiá". E para Niltinho, ela nunca falhou. 

Nilton já recuperado com a mãe em comemoração a recuperação.
Nilton já recuperado com a mãe em comemoração a recuperação. Acervo Pessoal
 



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