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LIBERDADE EM RISCO

Censura: PM proíbe bandas de tocarem Chico Science em Recife

quarta-feira, 26/02/2020, 22:32 - Atualizado em 26/02/2020, 22:43 - Autor: Diário Online


Chico Science (no centro) foi um dos maiores artistas da história da música nordestina, misturando ritmos regionais como frevo, maracatu e coco, ao rock. As letras sempre críticas geniais ao Estado.
Chico Science (no centro) foi um dos maiores artistas da história da música nordestina, misturando ritmos regionais como frevo, maracatu e coco, ao rock. As letras sempre críticas geniais ao Estado. | Reprodução

Artistas que se apresentaram no Carnaval do Recife (PE) denunciaram casos de censura e abusos por parte da Polícia Militar de Pernambuco.

A onda de denúncias começou quando a banda Zefirina Bomba afirmou, na última terça-feira (25), que foi proibida pela PM de tocar a canção "Banditismo Por Uma Questão de Classe", clássico dos anos 90 de Chico Science e Nação Zumbi.

A banda contou nas redes sociais que no momento em que iniciou a canção, a PM fez uma barreira entre os artistas e o público e ameaçou levar o vocalista preso. Ao serem perguntados sobre os motivos da proibição, os agentes disseram que “não podia tocar Chico Science”.

O cantor da banda Devotos, Cannibal, disse a uma reportagem da imprensa local que também, depois de tocar “banditismo por uma questão de classe” no pólo da Várzea, Zona Oeste do Recife, na terça-feira (25), a sua equipe de produção foi alertada pelos PMs que se insistissem em canções desse tipo o show seria encerrado.

A canção é uma das mais icônicas da banda recifense. Versando sobre o contexto de miséria, pobreza e repressão policial vivido pelos habitantes do Estado na década de 90, quando a cidade era uma das mais violentas e desiguais do mundo.

Chico Science escreveu uma letra repleta de protestos ácidos, que mostram que a desigualdade gera violência. Um trecho da canção diz: "em cada morro uma história diferente, que a polícia mata gente inocente". Outro diz “E quem era inocente agora já virou bandido, pra poder comer um pedaço de pão todo f**dido.

Após o acontecimento, muitas pessoas relacionaram a censura policial ao momento que o país atravessa, com o atual governo apoiando manifestações contra instituições democráticas e motins de policiais contra governos estaduais, como acontece no Ceará e em Minas Gerais.

NO PARÁ

No Pará também há um caso recente de censura contra a arte feita para ilustrar um cartaz de um festival de música em Belém, o Facada Fest, no final do ano passado.

Os organizadores do evento foram intimados esta semana a comparecer à Polícia Federal para prestar depoimento, tudo por causa de um cartaz onde aparece um palhaço usando a faixa presidencial e empalado por um lápis - uma crítica aos cortes de investimentos na Educação feitos pelo governo federal.

Em despacho assinado pelo Ministro da Justiça, Sérgio Moro, e pelo Procurador Geral da República, Augusto Aras, eles são acusados de “apologia ao crime” e “crime contra a honra” do Presidente da República.

Leia a letra da canção censurada em Pernambuco:

Há um tempo atrás se falava de bandidos

Há um tempo atrás se falava em solução

Há um tempo atrás se falava em progresso

Há um tempo atrás que eu via televisão

Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha

Não tinha medo da perna cabeluda

Biu do olho verde fazia sexo, fazia

Fazia sexo com seu alicate

Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha

Não tinha medo da perna cabeluda

Biu do olho verde fazia sexo, fazia

Fazia sexo com seu alicate

Oi sobe morro, ladeira, córrego, beco, favela

A polícia atrás deles e eles no rabo dela

Acontece hoje e acontecia no sertão

Quando um bando de macaco perseguia Lampião

E o que ele falava outros hoje ainda falam

Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala

Em cada morro uma história diferente

Que a polícia mata gente inocente

E quem era inocente hoje já virou bandido

Pra poder comer um pedaço de pão todo fudido

Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha

Não tinha medo da perna cabeluda

Biu do olho verde fazia sexo, fazia

Fazia sexo com seu alicate

Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha

Não tinha medo da perna cabeluda

Biu do olho verde fazia sexo, fazia

Fazia sexo com seu alicate

Oi sobe morro, ladeira, córrego, beco, favela

A polícia atrás deles e eles no rabo dela

Acontece hoje e acontecia no sertão

Quando um bando de macaco perseguia Lampião

E o que ele falava outros hoje ainda falam

Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala

Em cada morro uma história diferente

Que a polícia mata gente inocente

E quem era inocente hoje já virou bandido

Pra poder comer um pedaço de pão todo fudido

Banditismo por pura maldade

Banditismo por necessidade

Banditismo por pura maldade

Banditismo por necessidade

Banditismo por uma questão de classe!

Banditismo por uma questão de classe!

Banditismo por uma questão de classe!

Banditismo por uma questão de classe!



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