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Gagliasso desabafa sobre 'racismo estrutural' após polêmica com loja: "monstro horroroso"

domingo, 20/09/2020, 10:48 - Atualizado em 20/09/2020, 10:48 - Autor: Paloma Lobato


O ator usou uma rede social para falar sobre racismo.
O ator usou uma rede social para falar sobre racismo. | Reprodução/Instagram

O ator Bruno Gagliasso quebrou o silêncio e resolveu se posicionar sobre a polêmica envolvendo o Magazine Luiza, que tem ganhado repercussão nos últimos dias.  A loja se tornou alvo de comentários negativos após abrir uma seleção exclusiva para candidatos negros. 

O anúncio das vagas para o programa de trainee não agradou muita gente, que tem classificado a empresa como racista. 

Após toda a repercussão, o ator fez um desabafo em uma rede social. No texto, Bruno fala sobre racismo reverso e critica a atitude 

Leia mais:

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Magazine Luiza abre programa de trainee exclusivo para pessoas negras

"Essa semana uma rede de lojas anunciou que contratará apenas pessoas pretas em UM de seus próximos processos seletivos para trainee. Vejo muitos irmãos brancos revoltados com a notícia. Acusam a marca de praticar um “racismo reverso” e não percebem que essa coisinha se contorcendo por se sentir excluído de algo é apenas a grande ficha caindo: nós temos todas as oportunidades e nunca fizemos nadica de nada para quem não tem as bochechas rosadinhas como nós", declarou o ator. 

Ainda no texto, o ator classifica o "racismo estrutural" como um monstro. "A gente precisa conversar sobre um monstro horroroso que a humanidade inventou lá atrás e até hoje deixa correr solto por aí: o racismo estrutural", ressaltou. 

Confira:

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Preciso bater um papo com você, meu irmão branco. Um papo reto aqui entre nós que não somos o topo da pirâmide, mas estamos bem distantes da base. A gente precisa conversar sobre um monstro horroroso que a humanidade inventou lá atrás e até hoje deixa correr solto por aí: o racismo estrutural. É triste, mas nossa sociedade é feita todinha em cima disso. Nossos antepassados, ávidos por dinheiro, poder e terra, dizimaram povos, escravizaram pessoas e criaram um sistema de enriquecimento baseado na exploração de vidas humanas. E por mais longínquo que pareça, nós, os brancos de hoje, ainda nos beneficiamos desse método, porque nenhuma reparação foi dada aos descendentes dos povos escravizadoa. Pelo contrário. Até o início do século passado, essas pessoas eram proibidas de ter educação, possuir coisas, ter suas culturas respeitadas... E a gente aqui em 2020 precisa olhar pra isso com autocrítica e, principalmente, ação. Essa semana uma rede de lojas anunciou que contratará apenas pessoas pretas em UM de seus próximos processos seletivos para treiné. Vejo muitos irmãos brancos revoltados com a notícia. Acusam a marca de praticar um “racismo reverso” e não percebem que essa coisinha se contorcendo por se sentir excluído de algo é apenas a grande ficha caindo: nós temos todas as oportunidades e nunca fizemos nadica de nada para quem não tem as bochechas rosadinhas como nós. Eu sei que todo mundo passa por dificuldades mas, muitas vezes, essa dificuldade é ainda maior por conta da cor da pele. Acesso à educação e ao primeiro emprego para pessoas pretas não é “racismo reverso”. Até porque isso sequer existe. É a compreensão de que algo precisa ser feito para a base da pirâmide avançar e assim possamos, efetivamente juntos, construir uma sociedade mais justa e solidária. Lembre-se sempre, meu irmão branco, o “racismo reverso” é uma lenda urbana. Mas o racismo estrutural é real e muitas vezes tiramos proveito disso sem nem perceber. E é nosso dever acabar com esse ciclo. Não podemos mais adiar!

Uma publicação compartilhada por Bruno Gagliasso (@brunogagliasso) em


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